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Propagação

Inicialmente o café foi conhecido na Europa por suas propriedades medicinais, de grande e variado poder curativo, que alçaram a categoria de verdadeira panacéia, atingindo preço elevadíssimo. A partir do século XVII, o mundo europeu passara a adotar o café como bebida. Sua introdução na Europa, em moldes comerciais, deve-se aos holandeses, reponsáveis também pela divulgação do cafeeiro pelo mundo. De um arbusto, trazido de Java para o Jardim Botânico de Amsterdam, foram tiradas mudas posteriormente ofertadas aos principais jardins botânicos europeus.

Na Itália, onde entrou em 1615 através do porto de Veneza, o produto teve que vencer forte resistência da Igreja. Cristãos Fanáticos incitaram o Papa Clemente VIII a condenar o consumo da bebida, tida como invenção de Satanás. Ao provar o café, porém, o Papa declarou: "Esta bebida é tão deliciosa que seria um pecado deixá-la somente para os infiéis.

Vençamos Satanás, dando-lhe nossa benção e tornando-a verdadeiramente cristã." Em decorrência dessa benção papal os cafés proliferaram em Veneza, Gênova e, no fim do século XVII, eram encontrados em todo o país.

Em 1650, em Oxford, um judeu libanês chamado Jacobs instalou o primeiro estabelecimento de venda do produto na Europa. Dois anos depois, o grego Pasquá Roseé abre em Londres o primeiro café europeu e manda publicar, no The Publish Adviser, o mais antigo anúncio de café de que temos notícia: "Na Travessa Bartolomeu, por detrás da Bolsa Velha, pode-se tomar a bebida chamada café, muito saudável e portadora de excelentes virtudes: fecha o diafragma, aumenta o calor interno, ajuda a digestão, aguça o espírito, dá leveza ao coração, é boa para dor dos olhos, tosse, gripe, resfriados, turbeculose, dor de cabeça, hidropsia, gota, escorbuto, escorfulose e muitas outras moléstias. É vendida tanto de manhã como as três horas da tarde."

O hábito de tomar o café agradava ao espírito pragmático dos ingleses, pois, como observavam, era uma bebida inocente, que, ao contrário do álcool, não pertubava as atividades vespertinas daqueles que a ingeriam durante o almoço. Paralelamente ao sucesso obtido pela bebida, surgem movimentos de contestação, como aquele promovido pelas mulheres inglesas que, talvez insulfladas pelos cervejeiros, insurgiram contra o seu uso. Segundo elas, o café "gasta a força viril dos homens e torna-os áridos como as areias da Arábia, de onde veio esse grão maldito". Em Paris, um levantino instalou, no Petit Chatelet, uma butique para a venda de café em grão ou como infusão, contribuindo muito para a divulgação do produto, que em breve passou a ser grandemente apreciado pelos reis e pela nobreza francesa, a ponto do Cardeal Mazzarin mandar vir da Itália um especialista no preparo da bebida. Durante o reinado de Luiz XIV, Paris inteira comentava os jantares oferecidos à corte pelo embaixador de Maomé IV, Solimão Agá Mustafá, nos quais o ponto alto era a cerimônia de preparação do café, servido por belos escravos, vestidos à moda turca. O café arraigou-se nos hábitos do povo alemão, que preferia a bebida misturada com leite. Em 1680, instalou-se em Hamburgo o primeiro café para venda ao público. Nas Kaffehaus, pequenas orquestras começam a se apresentar, unindo a bebida a outra paixão dos alemães: a música.

Entre esses grupos podemos destacar o Collegium, de Leipzing, cujo diretor, J. S. Bach, compôs, em 1732, sua célebre Cantata do Café, para ser tocada nessas ocasiões. Fredeirco, o Grande, da Prússia, preocupado com a evasão de divisas decorrentes da importação de café, promulgou um decreto, em 1781, proibindo o uso de café que não fosse torrado em estabelecimentos oficiais.

Como estes cobravam um preço exorbitante, o produto passou a ser inacessível ao bolso das classes populares, diminuindo assim o consumo da bebida no país. O uso do café em Viena teve origem quando, após o cerco de 1683, os turcos abandonaram a cidade deixando entre os despojos algumas sacas de um produto desconhecido, inicialmente confundido com forragem para animais. Franz George Kolchitzky, tendo vivido no Oriente conhecia os grãos, apoderou-se das sacas e procedeu à elaboração e venda do produto, ao qual juntou açúcar e creme chantilly, assim nascendo o tão apreciado café vienense.

Nos Estados Unidos, o café passou a ser conhecido em meados do século XVII, trazido pelos holandeses, que ocupavam Manhattan,então chamada New Amisterdan. Nova Iorque tornou-se um grande mercado da rubiácea e, já em 1732, funcionava em Wall Street a Exchage Coffee House of New York, depois subistituída pela Merchant's Coffee.


 

 
 
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